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Voce me faz sentir
o que eu ja nem sentia mais
“Uma parte de mim é todo mundo, outra parte é ninguém. Fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim, pesa, pondera, outra parte, delira. Uma parte de mim almoça e janta, outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente, outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem, outra parte, linguagem. Traduzir uma parte noutra parte, que é uma questão de vida ou morte. Será arte?”
— Ferreira Gullar

Eles se encontraram uma vez.

Eles passaram a se encontrar.

Ele roubou um beijo dela.

Ela o retribuiu com outro.

Ele a pediu em namoro.

Ela sorriu e aceitou.

Eles assistiram filme no sofá.

Ela passou o café.

Ele fez um bolo de fubá.

Eles visitaram seus familiares.

Eles deram banho no felino.

Eles assistiram seus times do coração ganhar.

Eles dormiram à beira-mar.

Ele cantava baixinho para ela.

Ela escrevia escondido para ele.

Ele a convidou para jantar.

Ela passou mal de tanto comer.

Eles foram embora rindo.

Eles namoraram por anos.

Ele tomou uma importante decisão.

Ela temeu.

Ele a pediu em casamento.

Ela sorriu e aceitou.

Eles foram para uma lanchonete.

Ele pediu uma cerveja.

Ela optou por um suco natural.

Eles comemoraram.

Ele disse que ela descabelada era tão linda quanto a lua.

Ela ficou com vergonha.

Eles se beijaram.

Ela ficou o observando.

Ele ficou observando-a.

Ela perguntou se poderia-a mergulhar nos olhos verdes ensolarados dele.

Ele respondeu que o sol em seus olhos era o brilho da beleza dela que refletia.

Eles se abraçaram.

Eles foram para casa na contramão.

Eles cantaram.

Eles foram casados por anos.

Eles envelheceram.

Ela assava biscoitos no forno novo.

Ele capinava lembranças no jardim.

Eles tomavam remédio no mesmo horário.

Ela controlava o sal do bife para ele.

Ele economizava nos doces para ela.

Eles repartiam a mesma poltrona.

Ela fazia cachecóis de lã para ele.

Ele transferia calor para as mãos dela.

Eles se tornaram frágeis com o tempo.

Ele não deixou de roubar beijos dela.

Ela não deixou de retribuir.

Eles trocavam presentes.

Ela ouviu ele cantar pela última vez.

Ele segurou forte em suas mãos.

Ele tentou transferir seu calor para ela.

Ela não respondeu.

Ela foi velada com as estrelas.

Ele capinava motivos.

Ele passou a jantar sozinho.

Ele encontrou na gaveta todas as cartas antigas escritas por ela.

Ele tomou uma importante decisão.

Eles se encontraram uma vez.

Eles passaram a se encontrar, só que agora, em outro lugar.

- http://isabelafreitas.com.br/2013/11/27/inspirando-roteiro-de-uma-vida-amorosa/ (via reescrevendoisabelafreitas)

Esses dias eu estava pensando e cheguei a uma conclusão tão simples, mas tão verdadeira que é interessante de se entender. O amor, o amor nada mais é que o olhar de uma criança cheio de esperança, que nos mostra que apesar de ser tão velho quanto a morte, ele é eterno igual ao tempo.

Gostar de alguém é ver o mundo acabar e começar do zero, é sentir as estrelas caindo, e o céu sendo reconstruído no mesmo instante. É como se os fogos de Copacabana no Réveillon se repetissem pelos 365 dias do ano. É convidar o coração para entrar em uma pista de dança ao som de Californication. É trocar a cor do céu a cada dia, somente para combinar com a cor do seu batom.

Nossos beijos fazem com que cenas inesquecíveis do cinema se tornem tão superficiais quanto maquiagem. Nossos beijos demonstram toda uma profundidade, que não é possível medir ou calcular a intensidade em que a gente se conhece.

Queria assistir com você o fim do mundo todo dia, de camarote, com os pés na janela e as pernas entrelaçadas, vendo as estrelas comentando que o nosso amor é o mais bonito que elas já viram.

Às vezes acho que somos um casal retrô, retrô até demais, porque nos dias de hoje, acreditar que a melhor coisa do mundo é acordar com um beijo de bom dia e um ‘acorda amor’ cochichado no pé do ouvido, com certeza é baranguice.

Mas sem sombra de dúvidas eu não me importo com isso, sou cego de paixão por você. E por isso sou capaz de entender todos os seus suspiros e todos os seus olhares sem que você diga uma palavra, assim como você é capaz de entender todas as minhas trocas de humor no decorrer do dia.

Suas palavras e meu silêncio são como opostos que se atraem, num eterno caso de amor, em que a relação não nasce com o dia, nem morre com a noite, ela simplesmente se mantém contínua, sem pausa e sem decair hora alguma.

Somos aquele beijo na chuva, sabe? Somos todas as noites em claro que passamos no telefone e mais, somos a união do certo e do errado ou vice e versa. Sinto que a frequência em que bate o seu coração é igual à frequência que bate o meu. Sinto uma emoção e um frio na barriga toda vez que eu te vejo, engraçado até, porque sempre é igual, desde a primeira vez que eu te vi.

Sim. Nossa relação é muito intensa, não te culpo, nem me culpo, temos gênios fortes. Brigamos, e como brigamos. A cada grito seu comigo soa como unhas em uma lousa, mas ao mesmo tempo em que você é um garfo riscando o meio de um prato, você é junta todas as sinfonias de Beethoven mais as sinfonias de Mozart. Você é o Jazz mais bem tocado e o MPB mais bem escrito que já foi feito.

Contigo sempre foi isso, seus defeitos se anulam com os meus, é como se mais com menos desse mais, infringindo todas as regras da matemática.

Adoro o jeito que você joga o cabelo e acreditando ou não, adoro também sua cara de brava quando olha pra mim após eu inventar uma daquelas piadinhas minhas que sempre te irrita. Adoro seu tamanho, não tão grande quanto meus sonhos e nem tão pequena quanto minha autoestima. Cabe nos meus braços e cada abraço parece que estou segurando o mundo.

Você dorme comigo toda noite, meu travesseiro hoje tem o seu nome, isto porque a falta que eu sinto quando você está longe reflete em escutar sua voz ecoando pelos corredores da minha casa, até sentir o cheiro do seu perfume vagando levemente por cada degrau da escada que passamos desde a ultima vez. Namoro com a sua sombra e converso com a sua foto todo dia. Loucura? Não, amor.

Pra mim, você é mais eterna que DNA, e mais importante que o meu time de futebol, porém, me liberar para ver o jogo às vezes não ia ser nada ruim.

Eu queria poder engarrafar sua voz, pra que naquelas noites frias em que o mundo se cala e que eu com certeza irei sentir-me sozinho, eu possa abrir e ouvi-la ecoar nos meus ouvidos ativando meu subconsciente e despertando toda a minha imaginação.

Você é dona e autoritária sobre o seu nariz, e a cada passo o mundo se curva à sua beleza e autenticidade. Você brilha como uma estrela, e voa rasante como um avião.

Você me encanta. Como fogos de artifício no céu.

http://isabelafreitas.com.br/2013/11/18/como-fogos-de-artificio/

- (via reescrevendoisabelafreitas)
“Fiquei sozinho um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentado num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesmo e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo.- Clarice Lispector.  

E nada aconteceu. Eu meio que sabia onde as coisas iam dar – foi quase, mas não deram. Não deu. Não dei. Valeu a tentativa, o empenho, o interesse. Eu não estava prestando muita atenção, mas posso sentir em algum lugar aqui dentro de mim que foi bonito. A gente ainda vai se falar por aí, essa não é a conversa final, eu sei como você é.

- Gabito Nunes. 

Nunca ninguém me enxergou além de tudo aquilo que eu aparentava ser. Até tentaram, tentaram mesmo, se esforçaram, foram até o fundo raso da minha alma. Mas no fim, era como se eu fosse um livro escrito em aramaico, e bem, as pessoas não sabem ler aramaico. Pelo menos, não as pessoas normais. Você sabia, você soube. Seja qual for a língua que estava escrita em mim, você soube ler perfeitamente. Como quem estuda noites a fio para uma prova e sabe todas as respostas assim que a vê. Foi assim que me senti quando te conheci. Você era o tradutor capaz de me entender, e eu, a garota incompreendida perdida no meio de sonhos, e pessoas vazias.

Eu quis te dizer naquela época que você terminou seu último namoro que eu sempre soube que ela não era a garota certa para você. Eu não disse, confesso, mas é que nunca me senti a garota certa para alguém também. Troquei as palavras por um abraço apertado, e esperei que você entendesse a mensagem. Sempre iria estar aqui por você, e com você.

Tentava te dizer entre uma decepção e outra, que estava cansada de me decepcionar, e que sentia a urgência de ser feliz. Você me prometia que o problema não era comigo, e que eu seria feliz um dia. Com alguém que me valorizasse. Eu quis dizer também que achava que esse alguém era você. Não disse, verdade. Mas é que eu nunca sei quando parar de ser assim tão sonhadora.

Eu desconfiava. Era você. Era você o único capaz de me fazer sair do chão, sonhar alto, e passar horas e horas com o olhar vago. Era você que iria me fazer carinho até adormecer, e olhar no fundo dos meus olhos decifrando minha alma por completo. Poderia também ter dito isso, mas pensei que isso poderia assustá-lo demais.

Eu quis te dizer que a nossa amizade sempre teve urgência de ser algo mais. Quis dizer que toda vez em que encostava minha mão na sua, tinha arrepios. Quis dizer que me pegava escutando músicas pensando em você. Mas sempre me achei tola demais por querer dizer tanto, então, optava por dizer nada.

Observava entre uma garota e outra, a felicidade se esvair dos seus olhos. Eram felicidades momentâneas, e você procurava alguém que fosse uma constante. Uma constante de paz, alegria, e amor. Você procurava uma garota que fizesse um furacão parecer uma brisa no fim da tarde. E olha, de todos os rapazes que conheci, você era o que mais merecia. Você merecia uma garota única, que te fizesse um bem incondicional. E isso eu te disse, uma, duas, três vezes. O que eu não disse foi que eu queria ser essa garota para você. Mas eu não me sentia única e tão especial assim.

O nosso amor começou pequenininho, tímido, reprimido em uma gaveta do meu coração. Tinha medo de se assumir, de não ser suficiente, de ser mais um amor murcho entre tantos amores falsos. Mas se aprendi uma coisa com a vida, é que quando duas pessoas estão destinadas a ficar juntas, elas vão se atrair como imãs com polos distintos. Eu te encontrei, você me encontrou. Eu. Você. O ”nós” veio um pouco depois.

E aí eu quis dizer ”eu te amo” toda vez em que te via. Quis dizer que eu amava o som da sua risada, que te achava lindo acordando pela manhã, e que eu queria fazer parte de todos os momentos da sua vida. Quis te dizer que ao seu lado até um programa chato de domingo parece gostoso. Eu quis te dizer que eu tinha certeza de que era você, e só você, e que vai ser você. Eu quis te contar sobre meus planos futuros, sobre o nosso destino, sobre o meu sonho de viajar o mundo com você ao meu lado, e todas aquelas coisas que uma mente sonhadora e ansiosa como a minha imagina. Mas quer saber? Eu nunca precisei te dizer nada.

Então eu só olho no fundo dos seus olhos, e sei que você sabe. Ah, sabe.

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Isabela Freitas

http://isabelafreitas.com.br/2013/11/11/as-coisas-que-eu-nao-te-disse/

(via reescrevendoisabelafreitas)

“Guarda um pedacinho
do meu coração contigo.
Fica com ele como prova de amor.- Cazuza.   
“O que mais me encanta em você, é a tua capacidade de me enlouquecer.- Frejat.